23 julho 2011

Cápsula substituirá Ônibus Espacial

Quando a Nasa voltar ao espaço – algo que por enquanto não tem data para acontecer – os astronautas do futuro podem se sentir “voltando no tempo”. O projeto da futura nave dos Estados Unidos prevê um veículo mais parecido com os antigos Apollo e com as russas Soyuz: não uma aeronave, mas uma cápsula.

Nem o nome até agora é tão empolgante assim: "Veículo Multi-propósito Tripulado”, ou MPCV, na sigla em inglês. A Nasa ainda tenta chamá-lo de “Orion MCPV”, pegando carona no nome do veículo do antigo projeto Constellation, do governo Bush de uma nave para voltar à Lua – empreitada cancelada por Barack Obama.
Protótipo em tamanho real da nova cápsula da Nasa (Foto: Nasa)

O desenho do MPCV é, de fato, bastante inspirado no Orion, mas sua missão será bem diferente. Em vez de voltar ao local de pouso das Apollo, ele deverá explorar primeiro um asteroide e depois o sonho de dez em cada dez astronautas: Marte. A ideia é que isso aconteça, respectivamente, em 2025 e 2030.

A nave já está em construção, pela empresa Lockheed Martin, no estado americano do Colorado, que foi a fabricante contratada para o Constellation. Em formato de gota, ela tem um comprimento de 5 metros em sua base – consideravelmente mais apertada que os 37 metros do ônibus espacial – e pesa 23 toneladas.

A área habitável é de 9 metros cúbicos (e, em órbita, com astronautas flutuando, cada centímetro cúbico é usado). Mas os heróis de uma eventual missão à Marte não vão precisar passar meses amontoados desse jeito. O projeto prevê que a cápsula se encontre em órbita com um módulo habitável maior e só depois parta para o planeta.

Quatro astronautas poderão voar no MPCV, mas eles não apreciarão as confortáveis aterrissagens de seus colegas até agora. A cápsula está prevista para cair no Oceano Pacífico, igual aos pioneiros da exploração espacial.

Segundo a Nasa, a nave é 10 vezes mais segura que os ônibus espaciais. Principalmente porque será a primeira a contar com um sistema que retirará a tripulação de perto do foguete em caso de problemas no lançamento. Foi exatamente a inexistência de algo do tipo que matou os sete astronautas a bordo do Challenger, em 1986.

Para lançar, um novo tipo de foguete também vai ser desenvolvido, mas este ainda está no papel. Chamado apenas de SLS (sigla em inglês para Sistema de Lançamento Espacial) até agora, ele é uma das maiores incertezas de um projeto já bastante incerto.

O Congresso americano quer o MPCV e o SLS prontos para 2016 – uma data consideravelmente improvável até mesmo dentro da Nasa. Até o momento não há data oficial nem para voos de teste, muito menos para uma futura missão tripulada.
Ilustração mostra como seria missão da nave a asteroide (Foto: Nasa)
Fonte: Globo.com

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